Emigrei, e agora ? [Parte 1]

Se para o Brasil sou um emigrante, para os portugueses sou mais um entre tantos imigrantes brasileiros que chegam para ocupar suas vagas e espaços, no entanto os motivos são muitos e vão além daqueles que posso contar em uma mão.

Há um ano resolvi mudar de vida, e resolvi fazer isso de uma maneira bem radical, mudei de país. Confesso que não foi uma decisão fácil, mas talvez ter saído de Salvador para São Paulo anos antes tenha causado mais temor e preocupação do que essa mudança recente. Fiz as malas com a falsa ilusão de que vir para Portugal seria muito mais simples do que para qualquer outro país, afinal com tanto em comum a adaptação seria simples e quase transparente.

A ideia deste longo texto é tentar desconstruir um pouco esta sensação e falar um pouquinho sobre “a vida como ela é, ” além de falar sobre o “Visa Tech”, assunto recente e que promete uma maior facilidade para o professional, como o texto é longo vou separar em 2 ou 3 partes.

Para começo de conversa, não saí do Brasil porque não acredito no país, ou fui vítima da violência, ou por tantos motivos que ouço diariamente nas mais vastas histórias que ouço de brasileiros que vivem por aqui. Saí porque queria conhecer o mundo, ver como as coisas funcionam em um outro país e validar se tudo o que dizem é verdade. Por isso, vou enumerar alguns pontos que acredito serem fundamentais para essa conversa toda.

Por que Portugal ?

Não tenho proficiência no Inglês e entre as oportunidades perdidas e processos seletivos cancelados por falta dele, recebi uma proposta para vir para Portugal onde o inglês não era obrigatório. A primeira pergunta que escuto é: Flávio, preciso de inglês para ir para Portugal? DEPENDE. Afinal de contas, o que valeu para mim, pode não valer para você.

No entanto, não posso me considerar uma exceção. Já conheci muitos profissionais que também não falam inglês e estão aqui, ou seja não tenha medo se estiver patinando no segundo idioma.

Já que todo mundo fala Português é mais fácil, né ?

Negativo! E aí começam as desilusões. Apesar do idioma ser o “mesmo” e vejam as aspas, rsss… não é igual, mesmo! Afinal de conta falamos “brasileiro” e eles “portugues” e você vai descobrir que é completamente diferente e, muitas vezes, uma frase curta como: “Eu passo lá contigo” significa o mesmo que: “Eu encontro com você lá!”. E você fica sem saber se vai ou se espera a outra pessoa.

E isso é uma das coisas mais simples que podem te acontecer. Um dia normal começa com a bicha que você precisa enfrentar para tomar seu pequeno-almoço com tosta de queijo e fiambre e um abatanado para acompanhar, além é claro, de um sumo de frutas antes de pegar seu ligeiro e ir trabalhar.

Então, quando chegar em Portugal venha com a mente aberta, pois é um mundo completamente novo, diferente e que merece ser explorado na sua totalidade. Desconstrua toda e qualquer imagem que possa ter ou história que tenha ouvido e viva cada momento.

Entendi, mas você está na Europa então ganha bem, né?

Não se ganha bem em Portugal, não como aprendemos a definir no Brasil. E aí vem mais uma decepção e, acima de tudo, uma falsa expectativa. Vou explicar por quê. Tudo começa com a decisão de sair do Brasil e converter diretamente o salário brasileiro para um salário fictício português. Vir com o sonho que por ganhar em Euros é possível manter uma estrutura no Brasil e outra em Portugal é outro pensamento que vai te levar à decepção. Se você não está planejando uma mudança desse tipo com todos os gastos que envolvem este processo, prepare-se para mais uma decepção. A realidade é bem diferente daquilo que vimos nos vídeos no YouTube, dos “casais maravilhas” que moram aqui e só pintam as coisas boas.

Então é tão caro assim viver em Portugal ?

Depende. O maior custo que temos aqui (assim como em algumas capitais do Brasil e Europa) é o aluguel.  O preço médio de uma kitnet ou com apenas 1 quarto, sem as contas de consumo, pode facilmente chegar aos 450 – 800 Euros. Esta variação depende da localização e do estado da casa, ou seja, quanto mais longe do centro, mais barato vai ser, em contrapartida pode não ter as facilidades do metrô ou ônibus a todo instante. Para além disso, as contas de consumo variam bastante dependendo de alguns fatores tais como quantidade de moradores, escolha de Recursos e muito mais, logo não são valores definitivos, podendo variar conforme exemplo abaixo.

  • Água (20 – 30 )
  • Luz (80 – 140 euros)
  • Internet (27 – 90 euros)

Lembrando que são valores estimados. Por exemplo, existem locais onde tudo funciona exclusivamente com energia elétrica, há outros que utilizam gás e eletricidade. Então, considerando valores médios, tranquilamente por mês aproximadamente 500 – 1300 euros são gastos com moradia e contas de consumo e olha que nem coloquei valores gastos com comida, lazer, saúde e todo o resto, no próximo post vou abordar a questão salário.

Mas já que para pagar barato vou ter que morar longe, vou comprar um carro, o que acha?

Mais uma vez, depende. Diferente do Brasil, os portugueses costumam rodar bastante com seus automóveis. É comum encontrar na rua carros com 10, 15, 20 anos em muito bom estado ou não, então na hora da compra o barato pode sair caro. Mas, nem tudo é tão ruim. Muitos lugares aqui têm estacionamento gratuito, no entanto nos locais pagos a fiscalização tende a funcionar ou seja é fácil encontrar carros travados pela guarda de trânsito. Para desbloquear, se não tiver sido rebocado, custa aproximadamente 200 euros e o carro só é liberado com pagamento imediato. Além disso, a depender do carro, o tanque pode custar cerca de 75 Euros. Logo, o gasto mensal com um veículo pode chegar aos 200 euros tranquilamente.

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Sem carro fica complicado andar em Portugal?

Depende. Existem mais de 50 modelos de passes para transporte público, mas desde abril de 2019 foi implantado o Modelo Navegante. Um cartão que custa 40 euros na sua versão mais completa, que permite utilizar em todas as empresas de transporte público de passageiros, em todos os 18 municípios da área metropolitana de Lisboa (AML) que compreende as regiões de Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira.

https://www.portalviva.pt/lx/pt/homepage/t%C3%ADtulos-de-transporte/uso-frequente/passes-navegante.aspx

Que a força esteja com vocês.

 

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